Oração para beatificação de Pe. d’Alzon

Senhor Jesus Cristo,
vós chamastes Emmanuel d’Alzon
para estar convosco no meio dos homens
e a serviço do Pai e do Reino.
Vós o inspiraste a partilhar com a família da Assunção
este serviço e o seu amor a Vós, à Virgem e à Igreja.
Hoje, na esperança e na oração,
esperamos que a Igreja reconheça a santidade do Pe. D’ALZON.
Por isso, com os pobres e os discípulos do Evangelho,
vos suplicamos, pela Sua intercessão,
que nos concedais a graça que imploramos.
Tende piedade de nós!
Fazei que participemos da Vossa paixão
pelo Pai e pelo homem.
Fazei de nós operários de vosso Reino!
Amém!

Pe. Emmanuel d’Alzon em diferentes momentos de sua vida (1, 2, 3 e 4) e monumento memorial na entrada do Instituto Emmanuel d’Alzon em Nîmes (França)

ESPAÇO D’ALZON

O Apostolado Educativo


Como jovem sacerdote, Pe. d’Alzon tornou-se um confessor e diretor espiritual muito procurado, passando a cada dia muitas horas no confessionário, começando logo depois de sua Missa das cinco horas da manhã.

Em 1843, ele e um amigo sacerdote chamado Pe. Goubier adquiriram o Colégio da Assunção em Nîmes. Embora isso não tenha sido o início do apostolado educativo do Pe. d’Alzon – ele já estava instruindo jovens em várias áreas – marca a sua entrada na educação formal, que se tornaria uma das obras de zelo pelas quais ele e sua Congregação tornaram-se mais conhecidos.

Um ano após a compra do colégio, ele fez um voto de fundar uma Congregação religiosa que iria “ajudar Jesus a continuar Sua encarnação mística na Igreja e em cada um dos membros da Igreja”. O Bispo Cartdeu deu permissão, em 1845, para que começasse um Noviciado com seus primeiros companheiros. Eram seis.


Os Agostinianos da Assunção


Em 1850, os primeiros Assuncionistas fizeram votos públicos ante o corpo docente e os estudantes reunidos na capela. O nome completo da Congregação é Agostinianos da Assunção, uma vez que eles tomaram a Regra do grande Doutor de Hipona [Santo Agostinho] como a base de sua vida religiosa. Além dos votos regulares, Pe. Emmanuel adicionou um quarto voto (privado) de dedicar-se à educação da juventude e à ampliação do Reino de Cristo. A Congregação foi aprovada formalmente por Roma em 1864, quando já contava com vinte e quatro membros sob votos perpétuos.

No ano seguinte, fundou as Oblatas da Assunção, uma Congregação de mulheres que provariam ser colaboradoras inestimáveis dos Assuncionistas em algumas de suas missões, particularmente na Bulgária.

Os anos 1869-1870 viram Pe. d’Alzon ativo nos trabalhos do Concílio Vaticano I, participando como o teólogo do Bispo Plantier. Trabalhou também com o Cardeal Pie, o Cardeal Manning e outros na elaboração do decreto da infalibilidade papal. A única sessão do Conselho que ele realmente frequentou foi a da aprovação esmagadora desse dogma. Com a missão cumprida, ele deixou Roma no mesmo dia.

No ano de 1871 abriu seu primeiro seminário gratuito para meninos pobres, que ele viu como uma solução para a escassez de sacerdotes. Em 25 anos, estes seminários propiciaram mais de quinhentos sacerdotes ao clero secular, além dos seminaristas que se juntaram a ordens religiosas.
 

Apostolado da Imprensa


Nos anos seguintes Pe. d’Alzon esteve ativo em três empreendimentos jornalísticos. O primeiro foi a Revista da Educação Cristã, com a finalidade de libertar a educação católica da tirania do Estado Liberal.

A segunda iniciativa, em 1877, foi uma revista semanal chamada O Peregrino, divulgando notícias sobre seu extenso apostolado na organização de peregrinações penitenciais em toda a França, especialmente para Lourdes. Em terceiro lugar, no início de 1880, a incipiente Congregação começou a publicar o jornal diário La Croix (A Cruz). O nome e o crucifixo em cada edição foram uma reação à atmosfera antirreligiosa contemporânea na França, onde o uso de crucifixos nas salas de aula, e até mesmo em lápides, estava proibido.

O jornal, que ainda circula na França, foi iniciado como um projeto para defender os direitos da Igreja, especialmente no campo da educação.

A luta do A Cruzpela liberdade da Igreja foi uma batalha difícil, que esgotou os últimos meses de vida do venerável fundador. Ele podia ver que sua Congregação em breve seria expulsa da França. Portanto, ele começou a fazer os preparativos para dispersar seus religiosos para a Espanha e a Inglaterra. Foi o ano de 1880, seu último neste vale de lágrimas, mas ainda testemunhando a formação espiritual de noviços, trabalhando febrilmente no apostolado da imprensa e lutando como louco pelo futuro da Congregação. Em 21 de novembro, Pe. d’Alzon faleceu, cercado por seus irmãos, e morrendo na mais edificante das disposições. Por ocasião de sua morte, os Assuncionistas eram oitenta e cinco membros professos perpétuos.

(Irmão Andre Marie, Prior do Centro São Bento, um apostolado dos Escravos do Imaculado Coração de Maria em Richmond, EUA -
http://www.catholic.org/news/saints/story.php?id=41767.Publicado em Santos & Heróis Cristãos (em tradução livre e editada); tradução e edição de E. Chequer)

 

Para ser amado, Jesus Cristo deve ser conhecido

O Venerável d’Alzon era extremamente consciente da importância do aprendizado para o sacerdote, o que quer dizer que ele sabia o que iria resultar, na maioria das vezes, se um padre não usasse seu tempo para continuar aprendendo. Se não fizesse isto, só iria ministrar os sacramentos. Assim, em vez de continuar dizendo aos membros de sua Ordem – homens que estariam ocupados dirigindo escolas, publicando jornais, realizando peregrinações que significavam manifestações políticas em massa e que lutavam contra a Revolução Francesa – que “eu não posso desejar o que eu não conheço”, ele passou a dizer: “Para ser amado, Jesus Cristo deve ser conhecido. Devemos estudar sobre Ele”.

Se o Padre d’Alzon estivesse escrevendo hoje, ele colocaria a palavra ESTUDAR em maiúsculas, mesmo porque há agora muito menos desta atividade, pelo menos entre adultos, do que em 1868.

Mas onde estudá-lO?

Onde mais, a não ser em livros? O Venerável d’Alzon disse que deveria ser “especialmente nos livros inspirados”, que ele entendia serem os livros do Novo Testamento, mas estes não foram os únicos. Ele nomeou especificamente alguns outros. Vendo os sacerdotes a quem deu o nome oficialmente de Agostinianos da Assunção, não deveria surpreender-nos que os livros prescritos fossem os do maior entre os Padres e, dizem alguns, entre os Doutores. Foram eles: Sobre a Trindade, Contra os Acadêmicos, Sobre o Livre-arbítrio, Carta a Volusian e Carta a Dióscoro, todos de Santo Agostinho.

A causa para a beatificação do Pe. Emmanuel d’Alzon foi aberta em 1931 depois que a Igreja o declarou Venerável. Isso foi durante o pontificado do Papa Pio XI, autor da Quas Primassobre a Realeza de Cristo. Para qualquer um que tente fazer qualquer tipo de trabalho apostólico, esta oração para a beatificação do Padre d’Alzon é recomendada:

“Pai Celestial, nós te agradecemos por ter concedido a Emmanuel d’Alzon um amor ardente por Jesus Cristo e seus amores – Maria, Sua Mãe, e a Igreja, sua Esposa. Como pai da família da Assunção, ele engajou legiões de apóstolos, religiosos e leigos, todos dedicados à vinda do Reino. Inspirados por seu exemplo, pedimos seus dons de um amor ardente e incansável zelo. Glorifica vosso Servo e amplie vosso Reino, concedendonos, por sua intercessão, os favores que agora pedimos, para confirmar o reconhecimento da Igreja na santidade de seu filho. Nós vos pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.”

(Gary Potter, jornalista e autor, escreve para várias publicações católicas de liderança, com interesse especial na aplicação dos ensinamentos religiosos da igreja aos omínios políticos e sociais.
http://catholicism.org/author/garypotter [entre outros]; radução e edição de E. Chequer)

Nós cuidamos dos corpos das pessoas, para que possamos ter o direito de penetrar em suas almas

As senhoras da Associação de Nossa Senhora da Salvação trabalhavam ao lado das Irmãzinhas da Assunção, uma congregação religiosa feminina da família da Assunção que foi cofundada em 1865, por inspiração do Venerável d’Alzon, pelo Pe. Etienne Pernet e pela madre Maria de Jesus (Antoinette Fage), a filha de uma costureira que foi abandonada pelo marido. Trabalhavam ao lado dos peregrinos de todos os cantos da França, milhares de peregrinos, e entre eles centenas de doentes e moribundos que faziam as peregrinações a Lourdes, ajudando, dando-lhes medicação, lavando-os, cuidando de suas chagas, rezando com eles.

O trabalho dos Assuncionistas e da Associação de Nossa Senhora da Salvação e dos Irmãos da Associação não parou em peregrinações. Até o momento da expulsão da ordem em 1900, capítulos da Associação existiam em 80 dioceses francesas. Senhoras e senhores dos capítulos patrocinavam escolas católicas, sociedades de ajuda a trabalhadores católicos, formação profissional para jovens e ainda programas sociais – todos projetados pelo Pe. d’Alzon e supervisionados pelo Pe. Picard, de modo que alguns dos mais pobres cidadãos da França seriam colocados em contato direto com muitos dos membros mais privilegiados da sociedade francesa, e os privilegiados poderiam dar assistência aos pobres e tudo isso era como ouvimos nosso Venerável dizer “a conquista das almas resgatadas por Nosso Senhor e ainda imersas no erro e do pecado”.

Mais uma obra muito significativa do Pe. d’Alzon e dos Assuncionistas foi seu trabalho missionário.

Em 1863, o Papa Pio IX enviou o Pe. d’Alzon a Constantinopla, então capital do Império Otomano. O império era maometano, mas dentro de suas fronteiras viviam milhões de cristãos ortodoxos e de católicos do rito oriental. A missão de nosso Venerável dada pelo Papa: fundar missões Assuncionistas para socorrer os católicos do Oriente e para a conversão dos ortodoxos cismáticos.

Foi um sinal, e muito objetivo, do êxito destas missões que dentro de poucos anos havia procissões públicas do Santíssimo Sacramento, protegidas por soldados turcos, através das ruas da capital otomana. Na virada do século, havia 300 Padres Assuncionistas e irmãos e 400 Irmãs – Oblatas da Assunção no trabalho na Turquia, na Bulgária e em outras partes do império. Além de suas 22 igrejas, dirigiam escolas, hospitais, orfanatos. Em Jerusalém eles tinham a Hotelaria de Nossa Senhora da França para acomodar peregrinos. E ali foi o local, em 1893, de uma Conferência Eucarística Internacional.

(Gary Potter, jornalista e autor, escreve para várias publicações católicas de liderança, com interesse especial na aplicação dos ensinamentos religiosos da igreja aos domínios políticos e sociais. http://catholicism.org/author/garypotter [entre outros]; tradução e edição de E. Chequer)

O essencial é estar confiante em Jesus Cristo, em Maria, na Igreja, e continuar trabalhando. Todo o resto não importa

Depois de ter falado do amor dos Assuncionistas por Cristo e Sua Mãe, Pe. d’Alzon falou sobre seu amor pela Igreja, que deveria ser “sobrenatural, ousado e desinteressado”, e aqui ele se tornou muito específico quanto ao motivo da existência de sua  Ordem.  Ele começou assim: “Se alguma vez a luta entre o bem e o mal, a verdade e o erro, Jerusalém e Babilônia, Céu e Inferno, a Igreja e a Revolução, está bem clara, é certamente hoje. Ouça o homem repetir o que Satanás disse, ‘Eu não vou obedecer. Eu vou subir até os céus e serei semelhante ao Altíssimo’ (Is 14,14). O homem vai ao ponto de negar Deus, porque ele acha que Deus é um obstáculo que lhe impõe o jugo da consciência, dever e virtude. A maneira que o homem pode quebrar este jugo é dizer: ‘Deus não existe’. Ante tal blasfêmia, só podemos dizer, com o líder dos exércitos celestiais, ‘Quem é como Deus?’ Satanás, a fim de derrubar a Igreja, está tentando derrubar toda a ordem social. Os cinquenta ou sessenta tronos que caíram durante o último século são o resultado de seus últimos esforços para derrubar o Trono do Vigário de Cristo na terra, porque Satanás é impotente para derrubar o Trono do próprio Jesus Cristo no Céu”.

Encerrando o assunto de seu amor à Igreja, Pe. d’Alzon falou de outra das missões de sua ordem, a educação. Ele a definiu: “A educação é a formação de Jesus Cristo nas almas”. Veremos depois o êxito dos Assuncionistas neste campo. Agora nós queremos ouvir nosso Venerável sobre outro assunto.

O amor pela Santíssima Virgem inspira-nos outro amor que se espalha no mundo por meio do culto à Mãe de Deus. Falo do amor à pureza e à castidade. Desde o início, tem sido um dos traços marcantes de nossos homens apostólicos, e os historiadores da Igreja nos dizem que a causa imediata do martírio de Pedro e Paulo foi o esforço constante destes dois apóstolos para formar virgens na Roma pagã e até mesmo no palácio de Nero.

Pe. d’Alzon disse a seus sacerdotes em 1868: “Que tristeza e desânimo nos causam as ruínas imensas provocadas pelas espadas e tochas de um Átila ou de um Genserico! De alguma forma era Deus que estava varrendo uma sociedade podre, a fim de preparar uma nova. Os bispos da Gália [nome da França, quando era uma província do Império Romano] não se enganaram. Vamos ter a inteligência de nossos antepassados.  Eles acolheram e transformaram a barbárie feudal; deixe-nos então dar as boas-vindas e transformar a barbárie democrática”.

Continuando nesse sentido, nosso Venerável perguntou: “Quem será nosso guia?”. Ele respondeu à sua própria pergunta: “O Papa”. E na resposta, ele também previu que seus Assuncionistas poderiam falhar em algumas empreitadas, como quando o poder temporal terminou e eles seriam expulsos da França, e ele queria preservá-los do desespero naquele momento. Então, ele encontrou esta linguagem: “Pode-se dizer que, desde Filipe o Justo, a política consistiu em uma enorme conspiração contra o papado. Os reis não queriam Papas; hoje ninguém quer reis. Embora o poder seja necessário, ele não precisa ser concentrado nas mãos de um rei ... É evidente que a maré democrática está a aumentar todos os dias, e está à beira de transbordar em uma revolução ... O essencial é estar confiante em Jesus Cristo, em Maria, na Igreja, e continuar trabalhando. Todo o resto não importa”.

(Gary Potter, jornalista e autor, escreve para várias publicações católicas de liderança, com interesse especial na aplicação dos ensinamentos religiosos da igreja aos domínios políticos e sociais.
http://catholicism.org/author/garypotter [entre outros]; tradução e edição de Ehusson Chequer)
Declaração de Metas e Diretrizes para o funcionamento de uma nova comunidade religiosa (cont.)

Venha a nós o vosso reino

Tal como acontece com algumas plantas bonitas, ideias e crenças muitas vezes florescem mais gloriosamente depois que pareciam ter morrido. Foi assim com a ideia cristã do reinado social do Cristo Rei. Enquanto estava vivendo saudavelmente na mente da maioria dos homens – enquanto não havia nenhum governo em qualquer lugar no ocidente que não fosse governo cristão, geralmente com um príncipe chefiando – isso era mais ou menos garantido. Não havia nenhuma necessidade real para formulá-la de forma detalhada. A situação tornou-se diferente – a ideia parecia ter morrido – quando os homens começaram a governar a sociedade de acordo com sua própria vontade, em vez da vontade de Deus, e começaram, no processo, destronando os príncipes por Ele designados para servir como governantes. Isso foi no século XVIII.

No século XIX, a ideia do governo com Cristo sendo o supremo Governante da Sociedade teve um enorme florescimento e em nenhum lugar mais do que na França, a própria terra onde a derrubada do governo cristão começou em 1789. Iniciando em 1809, quando Joseph de Maistre escreveu seu Ensaio sobre o Princípio Gerador de Constituições Políticas e Outras Instituições Humanas, nem uma década do século XIX na França ficou sem defensores de um governo cristão. Além de Maistre, incluem-se Louis de Bonald, François René de Chateaubriand, Louis Veuillot, Dom Prosper Guéranger, Edouard Cardeal Pie e, menos conhecido hoje, embora a Igreja tenha reconhecido sua santidade, declarando-o Venerável, o Pe. Emmanuel Joseph Marie Maurice d’Alzon.

Em 1925, apesar dos esforços de seus defensores franceses, a ideia de Cristo como Governante da Sociedade foi tão amplamente ignorada ou simplesmente rejeitada que o Papa Pio XI produziu sua encíclica Quas Primas. Nesse sentido, Sua Santidade, sabendo muito bem o que estava sendo dito por todos os lados, declarou: “Seria um grave erro dizer que Cristo não tem qualquer autoridade em assuntos civis (...)Ele é o autor da felicidade e da prosperidade verdadeiras para cada homem e cada nação (...)Se, portanto, os governantes  das  nações  desejam  preservar  sua  autoridade,  para  promover e aumentar a prosperidade dos países, eles não irão negligenciar o dever público de reverência e obediência à regra de Cristo”.

O que nos interessa aqui é o florescimento na França do século XIX da ideia de Cristo como o Governante da Sociedade. Mais especificamente, queremos ver como é que este desabrochar encontrou expressão no pensamento, na vida e na obra de Emmanuel d’Alzon e, especialmente, nas atividades da ordem religiosa por ele fundada em 1847 (formalmente aprovada em 1864) e dirigida até sua morte em 1880, os Agostinianos da Assunção, comumente chamados de Assuncionistas. Antes de nos voltarmos para a consideração de nosso assunto, há um aspecto que deve ser mencionado. Precisamente porque a ideia de reconhecer Cristo como o Governante da Sociedade existe nas mentes de tão poucos hoje, e especialmente em nações fundadas sobre o próprio princípio do governo de acordo com a vontade do povo, em vez de Deus, muito do que segue pode parecer não somente incrível para alguns leitores, mas até inimaginável.

Como inimaginável? D’Alzon, a seguir, não está falando diretamente sobre o assunto do reinado social de Nosso Senhor, mas tente imaginar isso sendo dito pelo líder de uma ordem religiosa, ou qualquer outro clérigo notável, hoje em dia: nós amamos o Cristo com o mesmo tipo de amor que tinham os primeiros cristãos, porque Ele ainda enfrenta os mesmos inimigos que Ele enfrentou em seu tempo. Nós o amamos com o amor que fez o Apóstolo dizer: “Se alguém não ama Jesus Cristo, seja anátema” (1 Cor. 16:22). Isto pode não ser muito tolerante, mas você sabe que aqueles que amam muito, toleram pouco. Propriamente falando, o verdadeiro amor é revelado no poder de uma intolerância nobre e franca. Nestes dias, sem nenhuma energia sobrando para amar ou odiar, os homens não veem que sua tolerância é apenas outra forma de fraqueza. Nós somos intolerantes porque a nossa força provém de nosso amor por Jesus Cristo.

Isso foi quando o Pe. d’Alzon falou com os membros da sua ordem em um Capítulo Geral em 1868. Se o leitor acha inimaginável que um clérigo possa falar desta maneira hoje, ele deve se lembrar de que o Venerável d’Alzon falava em uma época não muito tempo atrás. Vamos retornar a isto mais tarde. Por agora, e de forma a desenvolver um quadro mais completo da mente do Venerável d’Alzon e também de sua ordem religiosa, vamos continuar a olhar para o seu discurso de 1868. Considerando que foi feito por ocasião do primeiro Capítulo Geral, ou reunião, dos Assuncionistas, não devemos ficar surpresos ao descobrir que ele é programático. Hoje, ele seria sem dúvida intitulado “Declaração de Metas e Diretrizes para o Funcionamento de uma Nova Comunidade Religiosa”, embora em tom e estilo esteja muito longe do sociologuês nebuloso de documentos modernos típicos com esses títulos. Claramente, essas “diretrizes” não foram escritas por um comitê.

Pe. d’Alzon começa, como deveria, indicando a finalidade da ordem. Era a vinda do reino de Deus sobre nossas almas, pela prática das virtudes cristãs e dos conselhos evangélicos de acordo com nossa vocação, e a vinda do reino de Deus no mundo por meio da luta contra Satanás e a conquista das almas resgatadas por Nosso Senhor e ainda imersas em erro e no pecado.

(Gary Potter, jornalista e autor, escreve para várias publicações católicas de liderança, com interesse especial na aplicação dos ensinamentos religiosos da igreja aos domínios políticos e sociais. http://catholicism.org/author/garypotter [entre outros]; tradução e edição de Ehusson Chequer)

O Apostolado Educativo

Como jovem sacerdote, Pe. d’Alzon tornou-se um confessor e diretor espiritual muito procurado, a cada dia passando muitas horas no confessionário, começando logo depois de sua Missa das cinco horas da manhã.

Em 1843, ele e um amigo sacerdote, Pe. Goubier, adquiriram o Colégio da Assunção em Nîmes. Embora isso não tenha sido o início do apostolado educativo do Pe. d’Alzon – ele já estava instruindo jovens em várias áreas – marca sua entrada na educação formal, que se tornaria uma das obras de zelo pelas quais ele e sua Congregação tornaram-se mais conhecidos.

Um ano após a compra do colégio, ele fez o voto de fundar uma congregação religiosa que iria “ajudar Jesus a continuar Sua encarnação mística na Igreja e em cada um dos membros da Igreja.”O Bispo Cart deu a permissão, em 1845, para começar um noviciado com seus primeiros companheiros. Eram seis. (Ir. André Marie, Prior do Centro São Bento em Richmond (EUA); tradução e edição de Ehusson Chequer)

Os Agostinianos da Assunção

Em 1850, os primeiros Assuncionistas fizeram votos públicos ante o corpo docente e os estudantes reunidos na capela. O nome completo da congregação é Agostinianos da Assunção, uma vez que eles tomaram a Regra do grande Doutor de Hipona [Sto. Agostinho] como base de sua vida religiosa. Além dos votos regulares, Pe. Emmanuel adicionou um quarto voto (privado) para dedicar-se à educação da juventude e à ampliação do Reino de Cristo. A congregação foi aprovada por Roma formalmente em 1864, quando já tinha vinte e quatro membros sob votos perpétuos.

No ano seguinte, Pe. d’Alzon fundou as Oblatas da Assunção, uma congregação de mulheres que provariam ser colaboradoras inestimáveis dos Assuncionistas em algumas de suas missões, particularmente na Bulgária. Os anos 1869-1870 viram Pe. d’Alzon ativo nos trabalhos do Concílio Vaticano I, em que participou como o teólogo do Bispo Plantier. Trabalhou com o Cardeal Pie, o Cardeal Manning e outros na elaboração do decreto da infalibilidade papal. A única sessão do Conselho que ele realmente frequentou foi a em que os padres do Concílio aprovaram esmagadoramente o dogma. Com essa missão cumprida, ele saiu de Roma no mesmo dia.

Notícias do nascimento

No dia 30 de Agosto de 1810, na casa da família conhecida como “La Condomine”, em Vigan (França), após quatro anos de longa espera, Madame Jeanne-Clémence de Faventine Montrendon dava à luz um lindo menino. Henri Daudé d’Alzon, enquanto aguardava o nascimento do filho, rezava o terço e passeava debaixo dos belos castanheiros que davam sombra à nobre casa. Estremeceu quando lhe disseram: “Senhor Visconde, vós tendes um filho”! O pai correu para junto do recém-nascido e disse pegando o bebê: “Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!”.

Após quatro dias do nascimento, na Igreja São Pedro do Vigan, a criança foi batizada por um dos seus tios, o Cônego Lyron d’Ayrolles. Deram-lhe o nome de Emmanuel José Maria Maurício d’Alzon.

Em 1832 ele entrou no Seminário de Montpellier. Dom Prosper Guéranger tentou atrair o jovem clérigo a seu mosteiro beneditino em Solesmes mas seu convite foi educadamente recusado. Emmanuel optou por terminar os estudos preparatórios à ordenação na Universidade Gregoriana, em Roma, onde rapidamente se desencantou. Sentiu que estava perdendo seu tempo.

Ainda assim permaneceu na Cidade Eterna, tendo aulas particulares com os professores mais talentosos de Roma, incluindo o Reitor do Colégio Inglês, o futuro Cardeal Wiseman.

Ordenado sacerdote em 26 de dezembro de 1834, ofereceu o primeiro Santo Sacrifício da Missa no túmulo de São Pedro no dia seguinte. Em 1835 ele entrou para a diocese de Nîmes (França) e, apenas dois anos mais tarde, foi feito Vigário Geral. Esta posição ele manteve por 45 anos sob quatro bispos. Também em 1835 ele fundou “O Refúgio”, uma obra de caridade para meninas de vida irregular. Ao dar a sua permissão para este novo apostolado, o Bispo Chaffoy ironicamente prestou homenagem à grandeza do Vigário Geral: “Vá em frente meu filho, todos os fundadores são tolos, e você tem todos os sinais disso”. (Ir. André Marie, Prior do Centro São Bento em Richmond (EUA); tradução e edição de Ehusson Chequer)