Missão
no Oriente: Sonho, missão e inserção
“Tout vient à point pour qui
sait attendre”: Tudo vem a seu tempo para quem
sabe esperar… É realmente o que aconteceu comigo
após 53 anos de Vida Religiosa. No meu noviciado
em 1955 o Pe. Judicaël Nicolas (1901 -1984) nos
fez uma conferência que me marcou profundamente.
Contou-nos que, transferido de Beius na Romênia
para Odessa no sul da Rússia, onde assumiu a paróquia
São Pedro, em abril de 1945 foi preso e levado
à sinistra prisão de Lubianka em Moscou. Alí começa
um longo calvário que o levará até Vorkouta na
Sibéria. Ao ser libertado em 1954 escreve um livro:
“Onze anos no Paraíso” (edição esgotada).
Esse livro não saiu mais da minha
cabeça. A Missão do Oriente sempre exerceu em
mim o desejo de servir a Igreja, a Congregação
e trabalhar em prol da Unidade dos Cristãos nessas
bandas. Naquela época ir para lá era impensável,
pois, as portas estavam fechadas e a Cortina de
Ferro abaixada! Meu espírito missionário me levou
a optar então pela América Latina: Argentina,
Brasil e Chile, que era a Missão da minha Província
de Bordeaux. Mandaram-me para o Brasil em 1963.
De fevereiro de 1964 a agosto de 1979 estive na
paróquia da Santíssima Trindade, no Rio. De 1979
a 1981 estudei na Suíça, após 25 anos de Vida
Religiosa: 2 anos sabáticos! De fevereiro 1982
a dezembro de 1985 estive na Casa de Formação
em Campinas trabalhando no economato. Em fevereiro
de 1986 reassumi o Economato e o Secretariado
Regional no Rio de Janeiro.
Em novembro de 1989 abre-se a
“Cortina de Ferro” e o “Muro de Berlim” é demolido.
O Pe. Claude Maréchal, Superior Geral, fez a visita
do que restava da Assunção na Rússia, Romênia
e Bulgária. Escreveu uma circular para toda a
Congregação: pedindo voluntários: três tipos de
Religiosos seriam bem vindos... “A Assunção se
encontrava diante de uma tarefa de re-fundação,
tarefa que não poderia esperar muito. Desde então,
os voluntários puderam entrar em contato com o
seu Provincial”. Em 14 de novembro de 1990 escrevi
para o Pe. Jean Pierre Dehouck colocando-me à
disposição. A resposta negativa é datada de 11
de dezembro de 1990: “você cumpre uma tarefa na
qual você dificilmente seria substituído. Tem
um lugar no dispositivo vocacional, notadamente
na acolhida de jovens na sua comunidade”. Em outubro
de 1993 ao voltar das férias em minha família
e passando pela Casa Provincial de Paris, o então
Provincial, Pe. Patrick Zago, me perguntou: “Aquela
carta que você escreveu em 1990 ainda é válida?”.
A resposta foi: “claro que sim”!!! Ele me via
na Rússia, mas eu não dependia dele, mas sim do
Superior Regional e do Vice-Provincial do Brasil,
Pe. Pedro Wouters. “A iniciativa só pode vir do
Brasil”. No dia 11 de outubro de 1993 escrevi
uma carta nesse mesmo sentido ao Pe. Benoit Bleunven.
Em 27 de fevereiro de 1994 escrevi uma longa carta
ao Pe. Pedro renovando meu desejo de me colocar
à disposição da “Missão do Oriente”. O Conselho
da Vice Província decidiu consultar por escrito
os Religiosos da Região do Rio: “resposta pessoal
e motivada”. As respostas são praticamente todas
negativas, por vários motivos, devido ao papel
que exercia na Região naquela época. Em 25 de
março de 1994 a resposta oficial, negativa, me
é dada por escrito pelo Pe. Pedro. Não escondo
que ao ler essa carta na Quinta-Feira Santa, chorei!!!
Em 21 de fevereiro de 1998 chego
a Pinhal para assumir a Casa de Acolhida e mais
tarde, o Economato Provincial. No sábado 22 de
julho de 2006, já liberado da Casa de Acolhida
e devendo deixar o Economato em outubro, sentia-me
livre para, de novo, me colocar a disposição da
Missão do Oriente; já que esta era a prioridade
da Congregação desde maio de 2003. Entreguei uma
carta ao Pe. Marcos, nosso Provincial nesse mesmo
dia. No dia seguinte, já em Paris, conversei a
esse respeito com o Pe. Geral que ali se encontrava.
Ao voltar das minhas férias,
em outubro, o Pe. Benoit Griëre Provincial da
França, já a par do meu desejo, teve comigo uma
longa conversa ... Ele me apresenta a situação
atual da Missão do Oriente e me aponta já uma
possibilidade... Mas tudo depende do Provincial
do Brasil, meu Superior.
Em dezembro de 2006, o Padre
Marquinhos e seu Conselho Ordinário me dão o “sinal
verde”. A partir daí a tramitação entre os dois
provinciais foi rápida. Dia 23 de dezembro de
2006, o Pe. Marquinhos comunica ao Pe. Griëre
a decisão “positiva” do Conselho Ordinário. Nos
primeiros dias de janeiro recebo a notícia: “Tu
és enviado em Missão no Oriente, e para isso és
colocado por um tempo à disposição da Província
da França... não te escondo que hoje me parece
pertinente te propor ir a Romênia, Margineni,
com estadia em Blaj. Assim poderás, progressivamente
te iniciar na língua Romena. Podes, portanto,
do teu lado, com o “sinal verde” do teu Provincial,
oficializar a decisão”.
Pe. Griëre disse também: “perguntei-lhe
se não tinha um “jovem brasileiro” para te acompanhar,
pois seria um sinal extraordinário para a Congregação”!!!
A noticia foi divulgada na província, aos meus
familiares, amigos, e correspondentes nesse mês
de fevereiro.
Dia 11 de março parto feliz para
a Romênia, em nome da “Província AA. do Brasil”.
Vou abrir uma porta, quem sabe
um dia talvez outros me sigam... para trabalharmos
na extensão do Reino e na Unidade dos Cristãos,
a fim de que todos sejam um...“ Adveniat Regnum
Tuum”.
Dentro de 6 meses será feita
uma avaliação sobre minha adaptação, língua, saúde,
clima, etc. Tudo dando certo, serei transferido
definitivamente para a Província da França a serviço
da Missão do Oriente. Caso contrário... Voltarei
ao Brasil.
A cada um de vocês o meu abraço
fraterno.
Ir. Gwenael Petton
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